Capt. 2 – Colonização

Capt. 2 – Colonização

O SERTÃO DE MANDUCAIA Desbravamento e Colonização   A ocupação de um território inexplorado é sempre uma empreitada árdua e perigosa. Árdua porque tudo está por ser feito: caminhos e pontes, moradias e edifícios públicos, oficinas e depósitos, e a instalação de serviços essenciais, além da sempre trabalhosa limpeza do terreno para a agricultura ou para a pecuária. Perigosa porque a nova região oferece riscos diferentes das áreas já civilizadas. Doenças, animais peçonhentos, feras, os risco de extravio nas matas ou no cerrado, a falta de água e de alimentos, as secas e as inundações, serão sempre diversas daquelas que os pioneiros conheciam em suas terras de origem. Será necessário conhecer esses inconvenientes e se adaptar para evitar os desastres naturais e as adversidades que a vivência permanente nessas áreas obrigará a enfrentar. A rotina cotidiana não poderá ser a … Continue...
Capt. 3 – Um Sertão Diferente

Capt. 3 – Um Sertão Diferente

O SERTÃO DE MANDUCAIA   Manducaia, um Sertão Diferente   O desbravamento dos vales dos rios Atibaia, Jaguari e Camanducaia, os formadores do rio Piracicaba, não foi menos difícil do que a ocupação de outras áreas da América Portuguesa. Talvez até tenha sido mais penosa, pois só em meados do século XVIII os paulistas se atreveram a se fixar nesta região. Há textos, mesmo, que afirmam que as bandeiras procuraram evitar sempre as matas que bordejam a serra da Mantiqueira, para escapar aos riscos e trabalhos que seriam necessários para atravessá-las. Um documento desse tempo informa que os paulistas evitavam o “mato geral” que margeava a estrada para Goiás.           Esse sertão, o mais próximo de São Paulo, foi o último a ser enfrentado pelas bandeiras. Sertanistas que haviam percorrido quase toda a América do Sul, indo do Prata ao … Continue...
Capt. 4 – Os Índios de Manducaia

Capt. 4 – Os Índios de Manducaia

O SERTÃO DE MANDUCAIA   OS ÍNDIOS DE MANDUCAIA   A primeira notícia sobre os índios de Manducaia está no volume I das Atas da Câmara de São Paulo, no qual está narrada a tragédia da bandeira de Domingos Luís Grou, massacrada pelos ”índios de Bongi” (sic, por Mogi) no alto Pirapitingui, terminando por assassinar mais alguns bandeirantes na barra deste rio com o Tietê. A Câmara paulista atribuiu o massacre aos tupiniquins, mas nunca mais se ouviu falar em tupiniquins nesta região. Seus habitantes primitivos, índios caiapós (também chamados de “lopos”) e guarulhos, tiveram destinos diferentes. Os primeiros, batidos pelas bandeiras, haviam se espalhado ao longo do caminho que ligava São Paulo às minas de Goiás. Ainda nos primeiros anos do século XIX praticavam tropelias nos arredores de Mogi Mirim. Já os guarulhos, pacificados pelo Padre Mateus Nunes de … Continue...
Capt. 5 – As Primeiras Penetrações

Capt. 5 – As Primeiras Penetrações

O SERTÃO DE MANDUCAIA   AS PRIMEIRAS PENETRAÇÕES   Mas, no meio dessa floresta densa, picadas abertas em tempos imemoriais pelos indígenas permitiam o acesso rápido aos campos que bordejavam a Serra da Mantiqueira. Eram os “peabirus”, uma rede de estradas pré-cabralinas, que se estendia por toda a América do Sul. Uma delas foi usada pelo velho Anhanguera I, por volta de 1670, e cinquenta anos mais tarde, por seu filho, o Anhanguera II, para alcançar as sonhadas minas de Goiás. (AMUL, 6:133- RIHGB /AHU/SP, 2: 181 e 387). Esses peabirus internos de Manducaia serviriam para que, no futuro, o sertão fosse devassado. Adiante examinaremos mais detalhadamente o papel das estradas no desbravamento e na colonização da região. Elas resultaram na criação de duas frentes de penetração em Manducaia num movimento de pinças, uma avançando pelo sul e a outra … Continue...
Capt. 6 – O Avanço da Fronteira Agrícola pelo Sul

Capt. 6 – O Avanço da Fronteira Agrícola pelo Sul

O SERTÃO DE MANDUCAIA   O AVANÇO DA FRONTEIRA AGRÍCOLA PELO SUL   A partir de São Paulo foram abertas duas frentes de colonização no rumo Norte: uma com a fundação de Jundiaí e outra o começo do povoamento de Atibaia.   1– Atibaia e Nazaré           Em meados do século XVII, Jerônimo de Camargo Pimentel e outros membros da família Camargo passaram a se estabelecer em terras ao norte da cidade de São Paulo, onde fundaram Atibaia. Na mesma época surgiu o povoado de Nazaré, hoje Nazaré Paulista. O aldeamento dos índios Guarulhos feito pelo Padre Mateus Nunes de Siqueira também contribuiu para a região se desenvolvesse rapidamente. Ao se iniciar o século XVIII, ambas as povoações já eram freguesias, com pároco próprio. A borda sul do sertão de Manducaia começava a ser devassada. Algumas terras já haviam … Continue...
Capt. 7 – Estradas e Migrações

Capt. 7 – Estradas e Migrações

O SERTÃO DE MANDUCAIA   O CONTORNO PELO OESTE – ESTRADAS E MIGRAÇÕES   Enquanto os lavradores atibaienses avançavam pelo Sul, bandeirantes e outros lavradores contornavam Manducaia pelo Oeste, seguindo um velho caminho indígena pré-cabralino, o “o caminho dos goiazes”.        1 – O Peabiru São Paulo/Goiás   Eram os “peabirus”, uma rede de estradas pré-cabralinas, que se estendia por toda a América do Sul. Uma delas foi usada pelo velho Anhanguera I, por volta de 1670, e cinquenta anos mais tarde, por seu filho, o Anhanguera II, para alcançar as sonhadas minas de Goiás. (AMUL, 6:133- RIHGB /AHU/SP, 2: 181 e 387). Os paulistas desde o século XVI o palmilhavam em suas expedições. As bandeiras do “ciclo do Paraupava”, realizadas nas primeiras décadas do século XVII, o usaram com freqüência. (vide o magnífico trabalho de Manuel Rodrigues Ferreira, … Continue...
Capt. 8 – O Povoamento de Mogi-Mirim

Capt. 8 – O Povoamento de Mogi-Mirim

O SERTÃO DE MANDUCAIA   O POVOAMENTO DE MOGI-MIRIM        1 – A Estrada do Pau Cerne A migração dos valparaibanos era diversa daquelas que se faziam para Minas ou para Goiás. Enquanto nestas predominavam os aventureiros, homens válidos, movidos pela ambição, sendo as mulheres e crianças uma minoria, entre os valparaibanos a migração abrangia provavelmente famílias inteiras em busca, não de ouro, mas de um novo lar. Saíram de Mogi das Cruzes, de Taubaté, de Jacareí, de Guaratinguetá, de Pindamonhangaba e de Guarulhos. O caminho principal era o que levava do vale à cidade de São Paulo e dali para o caminho dos goiazes. Mas os valparaibanos logo descobriram um atalho que encurtava muito a distância. Em Jacareí começava um velho peabiru, “a estrada do pau cerne”, que passando por Santa Isabel, Nazaré e Atibaia, chegava a Jundiaí, … Continue...
Capt. 9 – Encontro das Duas Frentes de Penetração

Capt. 9 – Encontro das Duas Frentes de Penetração

O SERTÃO DE MANDUCAIA   O ENCONTRO DAS DUAS FRENTES DE PENETRAÇÃO – O AMPARO   Uma outra razão para a penetração de colonizadores nos vales da região foi a descoberta de ouro no alto Camanducaia por um paulista, Simão de Toledo Piza, que, entretanto, “manifestou” (como se dizia na época) a sua descoberta às autoridades mineiras. Uma verdadeira guerra, com batalhas fluviais no rio Sapucaí, havia ocorrido anos antes, e uma série de incidentes entre as capitanias de São Paulo e Minas Gerais voltou a acontecer por volta de 1770.  (RIHGB/AHU/SP, 6:282 e 7:173 – Docs. Inter., 23:102) Para evitar que as autoridades mineiras continuassem se apoderando de território paulista, o governador Morgado de Mateus determinou ao Tenente Francisco José Machado de Vasconcelos a abertura de uma estrada margeando o rio Camanducaia. (RIHGB/AHU/SP, 6:339). As explorações do Camanducaia deveriam … Continue...
Capt. 10 – Início da Colonização Permanente

Capt. 10 – Início da Colonização Permanente

O SERTÃO DE MANDUCAIA   O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO PERMANENTE   1 – A capela primitiva e Geraldo Dutra de Moraes   Desde tempos imemoriais o direito português admitia uma figura jurídica denominada “capela”, ou seja, a constituição de um patrimônio imobiliário destinado à subsistência de um pequeno templo. Se tal acervo fosse constituído de terras de cultura o rendimento da produção agrícola pertenceria ao administrador da capela, que, depois de retirar uma parte para si, aplica o restante na conservação do templo e nas despesas do culto (Pereira e Souza, Diccionario Theorético). Muitas vezes, porém, a capela era dotada de um “rocío” (ou rossío, como aparece grafado no texto amparense), isto é, de um espaço aberto, de uso comum dos moradores, servindo como praça e até como pasto comunitário. O instituidor da capela, aquele que doou o patrimônio dela … Continue...
Capt. 11 – Conclusão

Capt. 11 – Conclusão

O SERTÃO DE MANDUCAIA   CONCLUSÃO   De qualquer forma, já podemos dizer que, nos primeiros anos do século XIX, havia vários agrupamentos populacionais no território no qual se formou mais tarde o município de Amparo. O município não foi fruto do núcleo urbano; com ele ou antes dele nasceram vários agrupamentos populacionais que geraram bairros e até cidades. Assim, em face das informações contidas no tombamento de 1818, no texto de Jorge Antônio José, nos documentos eclesiásticos de Mogi-Mirim e em outras fontes, conclui-se que havia sete núcleos de povoamente em terras amparenses no começo do século XIX:   1 – o mais antigo é o conjunto de moradores ribeirinhos do Camanducaia e do Camanducaia-Mirim, nas divisas com o atual município de Santo Antônio de Posse, mencionados em repetidos assentos de batizados da paróquia de São José de Mogi-Mirim … Continue...